Quinta-feira, Outubro 8
Sentada um dia na rambla em Montevideo, tomando meu mate e curtindo o fim de tarde, uma senhorinha sentou do meu lado, e começou a contar suas histórias. Ela tinha sido muito feliz com seu marido, que apesar de chato, sempre tinha cuidado muito bem dela. E agora que ele tinha morrido, ela sentia falta do "pesado" e que tinha mudado de lado da balança. Pra ela o melhor tipo de relacionamento era o q a outra pessoa gostava mais da gente do que a gente dela. Eu sempre achei isso uma maldade, mas nunca esqueci a velhinha. E nunca sei de que lado da balança eu estou.
Segunda-feira, Março 16
nos braços de morpheu
Quarta-feira, Março 11
a não compra do mês: a calça saruel
Como a vida é um paradoxo, apesar de eu ter me tornado uma versão bípede da orca a baleia assassina, eu continuo com dificuldades na hora de me divertir no shopping.
Sabe lá Deus por que, eu cismei que queria uma calça saruel, e que disso dependia a vida inteligente na Terra. Depois de muito, muito rodar por esse ABC de meudeus, finalmente achei uma que correspondesse aos meus padrões sobrehumanos:
a) não ficasse parecendo uma calça de rapper dos anos 80 (u can´t touch this)

b) não custasse muitos dinheiros. Me recuso a gastar a fortuna da família em peças da estação que eu vou enjoar antes da terceira lavagem.

c) não tivesse uma estampa ridícula do qual eu me envergonhasse posteriormente em caso de ser fotografada com a tal peça.

Em uma dessas lojas insuspeitas de rua, eu achei o objeto do meu desejo, que, uhlalá, tinha meu número (p) e custava uma merreca (20 dinheiros. isso mesmo. 20 dinheiros). E lá fui eu toda feliz experimentar a dita cuja.
E a dita cuja ficou enorme. Eu sei que a calça saruel é pra te deixar com cara de maria mijona, mas aquilo tava ridículo. E lá fui eu pedir a vendedora um modelo pp.
Pela cara das vendedoras, eu cometi um sacrilégio, e deveria pagar com a vida. Não paguei. Nem com a vida, nem com meus 20 dinheiros. E lá fui toda sorumbática, sem minha calça saruel.
Eu tenho lido sobre a ditadura da magreza, e toda aquela história das calças tamanho 0, e que o 34 é o novo 36 e assim por diante. Mas eu não vejo isso por aí.
Concordo, acho mesmo que a Victoria Beckham parece um pirulito de tão magra, e que a Keira Knightley parece uma anoréxica, mas eu, pobre pessoa normal, que é incapaz de dizer não aos atendentes do McDonald´s que oferecem uma opção extra grande, continuo apanhando para comprar roupas.
E não sou nenhum ser magérrimo. Ao contrário. Eu tô enorme. Engordei alguns quilos que não me abandonam. Uma das péssimas coisas em ser magra, é que ninguém te leva a sério quando você diz que engordou. Eu fui no endocrino, no derma, no gineco, no gastro. Nenhum deles me levou a sério quando eu reclamei dos quilos a mais. Eu tenho que engordar uns 15kg pra parecer um problema de verdade? Se alguém conhece meu corpo, esse alguém sou eu!Se eu tô falando que eu tô virando um bucho, é porque é a mais límpida realidade.
Quando eu era adolescente, não tinha muita certeza do meu tamanho. Só fui comprar uma calça do meu número já no último ano do colégio. Ainda assim, depois de lavadas, as calças invariavelmente ficavam enormes. Só na faculdade fui descobrir que meu tamanho na verdade era 36. E continua até hoje, mesmo eu tendo me tornado um monstro gelatinoso que assusta criancinhas por aí.
E ainda assim, as calças saruel ainda estão fora do meu guarda roupa.
Sabe lá Deus por que, eu cismei que queria uma calça saruel, e que disso dependia a vida inteligente na Terra. Depois de muito, muito rodar por esse ABC de meudeus, finalmente achei uma que correspondesse aos meus padrões sobrehumanos:
a) não ficasse parecendo uma calça de rapper dos anos 80 (u can´t touch this)

b) não custasse muitos dinheiros. Me recuso a gastar a fortuna da família em peças da estação que eu vou enjoar antes da terceira lavagem.

c) não tivesse uma estampa ridícula do qual eu me envergonhasse posteriormente em caso de ser fotografada com a tal peça.

Em uma dessas lojas insuspeitas de rua, eu achei o objeto do meu desejo, que, uhlalá, tinha meu número (p) e custava uma merreca (20 dinheiros. isso mesmo. 20 dinheiros). E lá fui eu toda feliz experimentar a dita cuja.
E a dita cuja ficou enorme. Eu sei que a calça saruel é pra te deixar com cara de maria mijona, mas aquilo tava ridículo. E lá fui eu pedir a vendedora um modelo pp.
Pela cara das vendedoras, eu cometi um sacrilégio, e deveria pagar com a vida. Não paguei. Nem com a vida, nem com meus 20 dinheiros. E lá fui toda sorumbática, sem minha calça saruel.
Eu tenho lido sobre a ditadura da magreza, e toda aquela história das calças tamanho 0, e que o 34 é o novo 36 e assim por diante. Mas eu não vejo isso por aí.
Concordo, acho mesmo que a Victoria Beckham parece um pirulito de tão magra, e que a Keira Knightley parece uma anoréxica, mas eu, pobre pessoa normal, que é incapaz de dizer não aos atendentes do McDonald´s que oferecem uma opção extra grande, continuo apanhando para comprar roupas.
E não sou nenhum ser magérrimo. Ao contrário. Eu tô enorme. Engordei alguns quilos que não me abandonam. Uma das péssimas coisas em ser magra, é que ninguém te leva a sério quando você diz que engordou. Eu fui no endocrino, no derma, no gineco, no gastro. Nenhum deles me levou a sério quando eu reclamei dos quilos a mais. Eu tenho que engordar uns 15kg pra parecer um problema de verdade? Se alguém conhece meu corpo, esse alguém sou eu!Se eu tô falando que eu tô virando um bucho, é porque é a mais límpida realidade.
Quando eu era adolescente, não tinha muita certeza do meu tamanho. Só fui comprar uma calça do meu número já no último ano do colégio. Ainda assim, depois de lavadas, as calças invariavelmente ficavam enormes. Só na faculdade fui descobrir que meu tamanho na verdade era 36. E continua até hoje, mesmo eu tendo me tornado um monstro gelatinoso que assusta criancinhas por aí.
E ainda assim, as calças saruel ainda estão fora do meu guarda roupa.
Segunda-feira, Março 9
fresh blood corporation
Saudade de um tempo em que o politicamente correto não era regra.
As coisas eram muito mais divertidas.
Mesmo tendo saído da casa dos meus pais há milhões de anos, sempre que estou por lá encontro alguma coisa minha perdida, alguma coisa que me faz entender como foi que eu vim parar aqui.
Quando eu era pequena, a melhor coisa do mundo era ler. Eu gastava grande parte das minhas férias e do meu tempo livre devorando os livros que eu encontrava pela casa, e os que eu encontrava na biblioteca também.
Mas nunca fiquei lendo as bobagens que a bibliotecária recomendava. E por isso eu quase não conheço nada do Monteiro Lobato. Mas me divertia horrores encontrando livros divertidíssimos e abandonados. Eu queria crescer e escrever. E João Carlos Marinho foi um dos grandes responsáveis por essa minha loucura pelos livros.
Quando eu tinha uns 9 anos, fui apresentada a turma do Gordo. Gordo, Berenice, Pituca, Edmundo. Depois, a turma foi crescendo e as aventuras ficando cada vez mais divertidas e absurdas.
Eu era maluca por essa turminha de crianças de dez anos, que falavam e agiam como mini adultos na São Paulo da década de 80. Gênio do Crime, Caneco de Prata, O livro da Berenice, Berenice Detetive e o meu favorito de todos: Sangue Fresco.

A história é demais: um gringo descobre que o sangue de crianças de 9 a 10 anos cura qq doença, e resolve sequestrar milhares de crianças bem nascidas e bem nutridas, levar para um acampamento na Amazônia e ficar multimilionário vendendo o sangue da infante elite paulistana. Tudo ía bem pro gringo, até ele mexer com o Gordo errado.
Reli esse livro na semana passada, indo pra facul, e deixei todo mundo irritado pelo caminho, por causa das minhas gargalhadas. Livro fantástico. Imperdível.
Não vejo a hora dos meus sobrinhos lerem sozinhos pra se divertirem com a turma do Gordo.
As coisas eram muito mais divertidas.
Mesmo tendo saído da casa dos meus pais há milhões de anos, sempre que estou por lá encontro alguma coisa minha perdida, alguma coisa que me faz entender como foi que eu vim parar aqui.
Quando eu era pequena, a melhor coisa do mundo era ler. Eu gastava grande parte das minhas férias e do meu tempo livre devorando os livros que eu encontrava pela casa, e os que eu encontrava na biblioteca também.
Mas nunca fiquei lendo as bobagens que a bibliotecária recomendava. E por isso eu quase não conheço nada do Monteiro Lobato. Mas me divertia horrores encontrando livros divertidíssimos e abandonados. Eu queria crescer e escrever. E João Carlos Marinho foi um dos grandes responsáveis por essa minha loucura pelos livros.
Quando eu tinha uns 9 anos, fui apresentada a turma do Gordo. Gordo, Berenice, Pituca, Edmundo. Depois, a turma foi crescendo e as aventuras ficando cada vez mais divertidas e absurdas.
Eu era maluca por essa turminha de crianças de dez anos, que falavam e agiam como mini adultos na São Paulo da década de 80. Gênio do Crime, Caneco de Prata, O livro da Berenice, Berenice Detetive e o meu favorito de todos: Sangue Fresco.

A história é demais: um gringo descobre que o sangue de crianças de 9 a 10 anos cura qq doença, e resolve sequestrar milhares de crianças bem nascidas e bem nutridas, levar para um acampamento na Amazônia e ficar multimilionário vendendo o sangue da infante elite paulistana. Tudo ía bem pro gringo, até ele mexer com o Gordo errado.
Reli esse livro na semana passada, indo pra facul, e deixei todo mundo irritado pelo caminho, por causa das minhas gargalhadas. Livro fantástico. Imperdível.
Não vejo a hora dos meus sobrinhos lerem sozinhos pra se divertirem com a turma do Gordo.
Quinta-feira, Março 5
pq eu não perco as aulas de terça feira

Claudio Julio Tognolli
Ele não é só um dos mais importantes jornalistas investigativos do Brasil. Ele escreve pra Rolling Stones, pra Caros Amigos, é mestre em psicanálise, doutor em filosofia das ciências, autor do livro Mídias, Máfias e Rock´ n' Roll (q vc baixa de graça no site da editora do bispo),é amigo da minha paixão adolescente Marcelo Rubens Paiva,já fez reportagens em mais de 30 países, e teve como orientador de mestrado o Timothy Leary, o pai da contra cultura. Só.
Como todo mundo tem um lado negro, ele tb foi guitarrista do RPM.
O cara entra na sala e todo mundo pára. É a aula mais chapante que eu já tive na minha vida estudantil. Vale cada mísero centavo gasto.
Só pra sentir o gostinho.
Quarta-feira, Março 4
Quarta-feira, Fevereiro 25
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